BULLYING NÃO

A prevenção do bullying nas escolas


Muitos funcionários e pais diversas vezes não são conscientes de como o bullying pode ser grave nas escolas até um incidente dramático chamar a atenção e mobilizar toda a comunidade escolar. A temática ganhou força nos anos mais recentes, principalmente com o documentário “Bully”, lançado em 2012, que retrata os efeitos trágicos que uma intimidação pode ter. Ele levou muitas escolas a tomar medidas e contribuiu para uma discussão sobre o bullying e as formas de evitá-lo.

O Centro para o Estudo e Prevenção da Violência Escolar usa três critérios para distinguir o bullying de outras ocorrências de mau comportamento ou casos isolados de agressão. Eles definem que é um comportamento agressivo ou intencional, de forma repetida e ao longo do tempo em uma relação interpessoal caracterizada por um desequilíbrio de poder. Assim, um aluno é intimidado quando é o alvo repetido de deliberadas ações negativas por um ou mais alunos que possuem maior poder verbal, físico, social ou psicológico.

Ainda existe o bullying direto – ataque físico ou verbal relativamente explícito – e o bullying indireto, que é mais sutil e difícil de detectar, como o isolamento social, a exclusão intencional, fofocas e rumores sobre a vítima, manipulação de amizades e outros relacionamentos, por exemplo. Isso sem falar no cyberbullying, que envolve o envio de mensagens instantâneas e/ou imagens pela internet, a fim de prejudicar a reputação e as relações da vítima. Esta forma de bullying pode ser muito difícil de detectar e acompanhar, e quase 50% das vítimas não sabe a identidade do agressor.

O bullying é um problema generalizado em muitas escolas. Tomar medidas específicas para melhorar o clima escolar e incentivar interações positivas destinadas ajuda a reduzir e/ou preveni-lo. Escolas usando uma aprendizagem social e emocional podem promover um clima geral de inclusão, calor e respeito, e promover o desenvolvimento do núcleo de habilidades sociais e emocionais entre os alunos e funcionários.

No Brasil, já existe uma lei que institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying) – Lei nº 13.185 de novembro de 2015. Por mais que exista essa lei para prevenção de bullying, não há solução rápida ou fácil. Pesquisas sugerem uma abordagem sistêmica para abordar esse problema. A aprendizagem social e emocional pode ser uma forma eficaz de reduzir a ocorrência de bullying nas escolas, porque promove habilidades, comportamentos, atitudes e fatores ambientais que são considerados incompatíveis com essa prática.

A abordagem sistemática nas escolas pressupõe vê-la como um ambiente seguro e acolhedor. Esse ambiente é caracterizado por relações de apoio entre professores e alunos, além de relações de suporte e apoio entre os próprios alunos, em busca de solucionar problemas e resolver conflitos. Outro aspecto importante é o estabelecimento de relações positivas entre as escolas e as famílias, de forma que aconteça uma troca na comunicação sobre o desenvolvimento do aluno.

A cultura da escola também é estabelecida por seus valores e políticas, que devem enfatizar o respeito pelos outros e valorização das diferenças. Os alunos que estão cientes e capazes de demonstrar carinho e preocupação com os outros podem virar referência para os colegas.

Pesquisas demonstram que o desenvolvimento das competências sociais e emocionais nas escolas é eficaz no combate ao bullying. Em comparação com grupos de controle, não só os alunos que participam de programas SEL demonstram ganhos significativos em suas habilidades sociais e emocionais; como também demonstram comportamentos mais sociais e atitudes mais favoráveis em relação à escola e aos colegas. Tendem a ter níveis mais baixos de problemas de comportamento e angústia emocional. Programas com objetivo de desenvolver essas competências podem promover as condições educacionais e sociais que tornam o bullying muito menos provável no ambiente escolar.

Fonte: Katia Dutra / Editora Moderna
Foto: A/D / OpenBrasil.org

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